sábado, 10 de abril de 2010

A África do Sul africaniza-se

"The event took place in Zimbabwe, and involved, as fate would have it, Julius Malema, the ANC Youth League leader whose repeated singing of an old struggle song about shooting Boers is viewed by many Afrikaners as an incitement towards precisely the sort of violence that claimed Terreblanche's life. Even as an iron bar shattered the old right-winger's skull, Malema was in Harare, feasting with Robert Mugabe and picking up tips on how best to destroy the teetering remnants of Western influence here in South Africa. Terreblanche's murder was an individual tragedy. Malema's actions threaten to destroy an entire subcontinent.

Julius Malema is a chubby man-child who rose to prominence as Jacob Zuma's attack dog, threatening violence against anyone who sought to block the Zulu patriarch's rise to the state presidency. When Zuma emerged triumphant, Malema found himself in the pound seats. A poorly educated 28-year-old, he mysteriously acquired two posh houses, a fleet of cars and an obscenely expensive Breitling watch – curious accessories for a man who positions himself as champion of the poor."

Em poucos outros case study se pode observar com tanta clareza a importância de um Homem excepcional, como foi Nelson Mandela, no destino de um estado. Superando as melhores expectativas, pela sua mão a África do Sul tornou-se um enclave de (relativa) estabilidade e reconciliação num continente onde ambas escasseiam. Na sua ausência, assiste-se à progressiva e lenta mugabização do partido por ele fundado.

Se fazer sapateado na sua lápide era o que queriam, podiam pelo menos tê-lo deixado morrer em paz.

domingo, 14 de março de 2010

Quando o enxerto em estaca não pega...

Se os responsáveis da Selecção Portuguesa tiverem um mínimo de vergonha na cara e uma réstia patriotismo não bacoco, este aqui não volta a vestir a camisola da selecção.

Touché



O que Cavaco não perguntou ao TC

O Presidente mandou para o Tribunal Constitucional a lei do parlamento que altera o Código Civil em matéria de casamento. Interroga o Tribunal acerca de três ou quatro artigos. Não sei se um deles é o que veta aos novos e legais casais (os entre pessoas do mesmo sexo) a possibilidade da adopção. Dentro da "lógica" da coisa (a famosa igualdade) tal artigo seria o primeiro a ser questionado acerca da sua constitucionalidade. Se Cavaco não perguntou, devia ter perguntado.

Esta "omissão" do PR, curiosamente na maior vulnerabilidade existente no diploma em questão, permite uma única leitura: a verificação da constitucionalidade invocada pelo PR prende-se não com questões de legalidade constitucional objectiva, mas com a tentativa de obter validação jurídica do que será uma objecção politica do PR (o casamento), ignorando olímpicamente normas bem mais duvidosas, mas que politicamente merecerão a sua aprovação (a proibição da adopção).

O PR tem todo o direito a não querer que os homossexuais se casem. Tem até o direito de vetar politicamente um diploma do qual discorda. Dispensava-se, era que o tentasse fazer de uma forma encapotada, para além de quixotesca e intelectualmente desonesta.


domingo, 7 de março de 2010

Cada um é para o que nasce

O politólogo oficial do PS tenta convencer-nos aqui que investigar se um Presidente mentiu sobre um broche, ou se um Primeiro Ministro mentiu sobre a compra de um canal de televisão privado por uma empresa semi-pública, é mais ou menos a mesma coisa.