quarta-feira, 25 de abril de 2012

O conceito 'esquerda-caviar', operacionalizado

"A FN é o primeiro “partido operário” (seguida pelo PS e pela UMP) e confirmou-o nesta eleição. Implantou-se nos antigos baluartes comunistas e nas bacias industriais devastadas pelo fim da segunda industrialização. A frustração serve de caldo de cultura da xenofobia. Mantém a base tradicional entre pequenos comerciantes e artesãos, tal como em zonas rurais. Está agora à conquista das classes médias baixas. 


 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Informa-me o Facebook

que este blog faz hoje um ano. Não tem sido actualizado com a regularidade que merece, por falta de tempo e de paciência, mas também em boa medida por uma nefasta mescla de preguiça e resignação. Previsivelmente, pelo menos por mais uns meses assim continuará a ser. Mas o blog e as ideias que o animam não estão mortas. Passado o pastelão da indefinição do estado da nação, e com uma agenda pessoal que se espera um pouco mais leve, conto regressar em força. Quando os dias se tornarem maiores.

sábado, 10 de abril de 2010

A África do Sul africaniza-se

"The event took place in Zimbabwe, and involved, as fate would have it, Julius Malema, the ANC Youth League leader whose repeated singing of an old struggle song about shooting Boers is viewed by many Afrikaners as an incitement towards precisely the sort of violence that claimed Terreblanche's life. Even as an iron bar shattered the old right-winger's skull, Malema was in Harare, feasting with Robert Mugabe and picking up tips on how best to destroy the teetering remnants of Western influence here in South Africa. Terreblanche's murder was an individual tragedy. Malema's actions threaten to destroy an entire subcontinent.

Julius Malema is a chubby man-child who rose to prominence as Jacob Zuma's attack dog, threatening violence against anyone who sought to block the Zulu patriarch's rise to the state presidency. When Zuma emerged triumphant, Malema found himself in the pound seats. A poorly educated 28-year-old, he mysteriously acquired two posh houses, a fleet of cars and an obscenely expensive Breitling watch – curious accessories for a man who positions himself as champion of the poor."

Em poucos outros case study se pode observar com tanta clareza a importância de um Homem excepcional, como foi Nelson Mandela, no destino de um estado. Superando as melhores expectativas, pela sua mão a África do Sul tornou-se um enclave de (relativa) estabilidade e reconciliação num continente onde ambas escasseiam. Na sua ausência, assiste-se à progressiva e lenta mugabização do partido por ele fundado.

Se fazer sapateado na sua lápide era o que queriam, podiam pelo menos tê-lo deixado morrer em paz.

domingo, 14 de março de 2010

Quando o enxerto em estaca não pega...

Se os responsáveis da Selecção Portuguesa tiverem um mínimo de vergonha na cara e uma réstia patriotismo não bacoco, este aqui não volta a vestir a camisola da selecção.

Touché



O que Cavaco não perguntou ao TC

O Presidente mandou para o Tribunal Constitucional a lei do parlamento que altera o Código Civil em matéria de casamento. Interroga o Tribunal acerca de três ou quatro artigos. Não sei se um deles é o que veta aos novos e legais casais (os entre pessoas do mesmo sexo) a possibilidade da adopção. Dentro da "lógica" da coisa (a famosa igualdade) tal artigo seria o primeiro a ser questionado acerca da sua constitucionalidade. Se Cavaco não perguntou, devia ter perguntado.

Esta "omissão" do PR, curiosamente na maior vulnerabilidade existente no diploma em questão, permite uma única leitura: a verificação da constitucionalidade invocada pelo PR prende-se não com questões de legalidade constitucional objectiva, mas com a tentativa de obter validação jurídica do que será uma objecção politica do PR (o casamento), ignorando olímpicamente normas bem mais duvidosas, mas que politicamente merecerão a sua aprovação (a proibição da adopção).

O PR tem todo o direito a não querer que os homossexuais se casem. Tem até o direito de vetar politicamente um diploma do qual discorda. Dispensava-se, era que o tentasse fazer de uma forma encapotada, para além de quixotesca e intelectualmente desonesta.


domingo, 7 de março de 2010

Cada um é para o que nasce

O politólogo oficial do PS tenta convencer-nos aqui que investigar se um Presidente mentiu sobre um broche, ou se um Primeiro Ministro mentiu sobre a compra de um canal de televisão privado por uma empresa semi-pública, é mais ou menos a mesma coisa.

Improbabilidades


Nunca suportei o Paulo Rangel. Desde que o comecei a ver num programa semanal de debates da RTP, do qual agora me escapa o nome, e depois num painel do Prós e Contras a par das figuras de Adriano Moreira, Mário Soares e Carlos Carvalhas (ou seria Miguel Portas?). Logo desconfiei que alguém o começava empurrar para qualquer coisa, apesar de eu não perceber bem para o quê. Achei que por baixo de uma pretensa espessura intelectual se escondia um mau politico, incapaz de defender eficazmente as suas posições.

Depois começaram os discursos, prenhes de ornamentos retóricos, que trazem à memória as imortais personagens do Eça, ou os relatos dos livros de Vasco Púlido Valente sobre o Portugal Liberal do pós-Guerra Civil. Fizeram dele líder parlamentar, e cabeça de lista às eleições Europeias. Na campanha, qualquer aparição sua era anunciada pelos cavalos de trabalho da jotinha a relinchar que "Ninguém pára ó Rangel", coisa que me facilitou muitíssimo a decisão na hora de votar. Não nele, obviamente. Ganhou, com a preciosa ajuda do avô Cantigas, e teve o momento alto do seu mandato quando se lembrou de anunciar no Parlamento Europeu que andava aí outra vez o fascismo.

De momento encontra-se novamente em campanha, lutando pela liderança do maior partido da oposição, tendo como estratégia não parar de repetir a palavra "ruptura". O seu adversário é um Obama branco, que quer "mudar" não sei bem o quê, nem sei bem como. Há também um politicamente inexistente líder parlamentar com pinta de burguês do Porto e um nome hífenizado - que terá, alegada e metaforicamente, recebido de Rangel o tratamento que Júlio César recebeu do Brutus.

Tendo dito isto, anuncio desde já que se o nosso figurão vencer a máquina - coisa em que não acredito - e me conseguir convencer que vai mesmo cumprir o que anda a prometer relativamente à Educação, terei o maior prazer em ajudar, com o meu voto, a fazer dele Primeiro Ministro de Portugal

Fazer pela vidinha

"O plano começa assim: amanhã, vou inscrever-me numa juventude partidária. Nessa excelsa organização juvenil, irei aprender a dobrar todas as regras. Caro dr. Pinto Monteiro, se não sabe, fique já a saber: a juventude partidária é a incubadora da amoralidade política reinante. A juventude partidária é uma espécie de recruta para os comportamentos amorais dos futuros governantes. E, meu caro, atente bem no termo 'amoral'. Porque, ali, na juventude partidária, irei aprender a fazer coisas imorais sem sentir culpa ou remorso. Ou seja, irei aprender a ser amoral. Mais tarde, esta ferramenta mental ser-me-á preciosa quando for preciso mentir com ar de anjinho no Parlamento ou na televisão.

Depois desta recruta, passarei a fazer as campanhas dos meus generais (nesta fase, deixarei de ser um menino e passarei a ser um boy). Durante essas sinistras batalhas eleitorais, ganharei a confiança do marechal. Uma vez no poder, esse marechal colocar-me-á numa daquelas empresas que ficam naquele beco obscuro onde podemos ver a prostituição da política e dos negócios. Qual empresa? Olhe, não sei. Não sou esquisito, nem careço de golden share. Contento-me com uma empresa municipal. Nesse barraco do poder local, poderei assumir, finalmente, a pele de traficante de influências. Com essas traficâncias, ganharei imenso dinheiro e os meus chefes receberão benesses sem fim."

sexta-feira, 5 de março de 2010

Páletes! Páletes de Pongóis!

A Escola da Jota

Alegrices

Há uns anos apoiei (passivamente) e votei em Manuel Alegre para Presidente. A coragem que demonstrou ao enfrentar a partidocracia, foi na altura o seu grande atractivo, sobretudo por ter sido a primeira vez que alguém experimentava algo semelhante àquela altitude política.

2011 aproxima-se, e com ele o esperado re-match. Apesar da mais que previsível recandidatura de Manuel Alegre, tinha andado até há coisa de um ano a pensar que ia votar no Cavaco, mas a sua inabilidade politica na gestão de determinados dossiês - vem-me à cabeça a questão do Estatuto dos Açores, em que não podia ter mais razão, mas cujo processo foi, do inicio ao fim pessimamente gerido - e a sua incapacidade de se descolar de Fernando Lima no surreal "caso das escutas" fizeram-me desistir dessa ideia.

Como esperado, Alegre recandidata-se e começa a recolher importantes não-apoios na "ala canalha" do PS. Está decidido, começo eu a pensar. Rebenta o "caso das escutas" e Manuel Alegre, que segundo a lenda ninguém cala, permanece irritantemente silencioso. "Ah, mas ele agora quer o apoio do Sócras, e não pode fazer barulho com isso!", dizem-me. A patacoada das conversas com o Sócrates sobre a preocupação deste com a "língua portuguesa" parecem confirmá-lo.

Isto tudo para dizer que se as eleições fossem já, estaria terrivelmente indeciso entre o Garcia Pereira, o voto nulo, ou a abstenção.

P.S. - O senhor da AMI não conta. Não voto em lebres de ninguém, muito menos do Jotinha Grisalho, como muito bem lhe chamou o Henrique Raposo.

Alegre, Sócrates e a Língua Portuguesa


A minha avó e eu também passamos horas a "conversar" sobre a premência e o realismo de uma agenda da promoção activa da democracia no Cáucaso e na Ásia Central. Que me lembre, ela nunca foi com a pinta do Karimov.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

VPV:

Circo



1. Ao fim de 3 anos, ficou hoje resolvida a questão da constitucionalidade da lei da interrupção voluntária da gravidez, imbecilmente levantada pela direita.

2. No fim-de-semana passado tivemos direito a marcha anti-gay (não, aquilo não foi somente contra o casamento gay) e respectiva contra-marcha. O diploma chegou há duas semanas à secretária do PR e prevê-se longo e colorido chavascal à conta das disposições relativas à adopção, quanto a mim claramente inconstitucionais.

3. Raios me partam se eu sei qual a próxima questão "civilizacional" a ser levantada a seguir. Por agora continuarão entretidos com a esotérica questão do "carácter" do Primeiro-Ministro, enquanto se "solidarizam" com o sofrimento do povo madeirense.