quinta-feira, 13 de maio de 2010

Deixa Lá Não Faças Hoje


Ainda há cerca de uma semana, Zapatero vivia aqueles últimos cinco minutos de propaganda sobre a manutenção do mais do mesmo, até que ontem lá anunciou que os factos obriga-lo-iam caso não baixasse os salários dos funcionários públicos e controlasse os gastos pelos lados da subsidiodependência.


Por cá mantemo-nos nos cinco minutos finais de um regime de partidos que não quer perder o eleitorado que, afinal, vistas as coisas pelo lado da verdadeira mobilização social, nunca teve. Ficou-se, então, pelo simbólico, pela purga dos altos rendimentos; ficamos à espera que o turismo floresça em Fátima para taparmos uns quantos buracos no orçamento.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A História Sim, Não Se Repete

Este excerto do Vasco Pulido Valente sobre o século XIX português até podia servir para um comentário sobre o teatro das massas da atual política nacional:

"A imprensa local e a do Porto não se referiram aos pormenores técnicos do caso. Mas não pouparam descrições do padre, da sua virtuosa vida e da sua imensa caridade; ou da "mãe decrépita", que o acompanhava quase moribunda. "A cena", como escreveu D. Garcia de Mendonça, "era patética, sentimental e socialmente pungente", ou seja, perfeita para a retórica de Vieira de Castro.Percebendo isto, o delegado do Ministério Público pediu mesmo ao júri que "não se deixasse iludir pelos rasgos oratórios do defensor, pelas flores da sua eloquência e pelas belezas do seu talento". Mas sem se impressionar com esta apresentação, Vieira de Castro abriu com a seguinte tirada: "Não trago flores, senhores jurados, para vos iludir. As flores oferece-as o povo ao sólio, a saudade ao túmulo, a devoção aos templos. As flores são para os regozijos públicos, para as alegrias, para os júbilos. Este é um dia de luto. Não tenho flores para vos iludir: tenho a verdade e as lágrimas para vos convencer." Falou depois, sem interrupção, durante três horas.
O auditório gostou do seu estilo de "rebentões de ouro", que, "desprendido das formas antiquárias do foro, dos monótonos parágrafos e das citações jurídicas", se "elevava em voos de sublimes concepções de filosofia e de direito". O júri gostou tanto que absolveu os réus."


Vasco Pulido Valente in Glória


segunda-feira, 3 de maio de 2010

É Para Amanhã


O ministro da economia disse que o pagamento só começa lá para 2013, o que serve como argumento para defender as obras públicas e os investimentos público-privados; parece que nos vamos comportar como aquela gente que compra carro mas não paga a prestação do dito no primeiro mês.

Manuel Alegre, enquanto espera pelo apoio da direção do PS, acabou por defender o mesmo, ao criticar Cavaco por se ter insurgido contra a estratégia do governo para o investimento público. Claro que ficou pelos jardins da sua ideologia do social, mas, esperava brio, quando é preciso dar a mão à palmatória, mesmo daquilo que, face aos factos, se comprova errado.