sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dos Fracos Não Reza a História


Houve em tempos, nos romances de Eça, Camilo e Júlio Dinis, aquelas personagens da política nacional do século XIX que pareciam produtos daquilo que Stuart Mill considerou ser a falta de conciliação entre o princípio da participação e o princípio da competência. Essas personagens repetiam-se ao longo dos processos como que por mimetismo geracional: do proprietário como cacique ao burocrata que vivia às custas do amigo ministro, do bufo ao enviado partidário, ao galopim dos novos tempos.
Mas a História não se repete. Repetem-se, sim, as fórmulas, as personagens e os comportamentos; e quando não se repetem os comportamentos, repete-se a ignorância e defendem-se ideias absurdas como grandes obras públicas em contextos económicos desfavoráveis, depois de ler umas quantas sebentas de pacotilha.
Dos fracos não reza a História; só espero que os fortes não se revejam na sobrevivência do darwinismo social, porque sobreviver pode ser repetir a mediocridade.

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