sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dos Fracos Não Reza a História


Houve em tempos, nos romances de Eça, Camilo e Júlio Dinis, aquelas personagens da política nacional do século XIX que pareciam produtos daquilo que Stuart Mill considerou ser a falta de conciliação entre o princípio da participação e o princípio da competência. Essas personagens repetiam-se ao longo dos processos como que por mimetismo geracional: do proprietário como cacique ao burocrata que vivia às custas do amigo ministro, do bufo ao enviado partidário, ao galopim dos novos tempos.
Mas a História não se repete. Repetem-se, sim, as fórmulas, as personagens e os comportamentos; e quando não se repetem os comportamentos, repete-se a ignorância e defendem-se ideias absurdas como grandes obras públicas em contextos económicos desfavoráveis, depois de ler umas quantas sebentas de pacotilha.
Dos fracos não reza a História; só espero que os fortes não se revejam na sobrevivência do darwinismo social, porque sobreviver pode ser repetir a mediocridade.

domingo, 25 de abril de 2010

Enquanto o Pau Vai e Vem Folgam as Costas

Continuando a série de posts com títulos de origem bem popular, felicito aqui a intervenção do Prof. Paulo Guinote no Plano Inclinado de ontem. Nos últimos anos tenho acompanhado alguns alunos do secundário e tenho visto uma degradação continuada não só dos esquemas de avaliação, mas principalmente das perspetivas de mobilidade social.

O sucesso para estes jovens, como disse Paulo Guinote, não é uma consequência do trabalho, mas apenas uma imagem distorcida da realidade, dos mass media, do facilitismo; elementos do novo mundo que a escola de hoje, por não conseguir derrotá-los, juntou-se a eles.

Ainda no outro dia um aluno do secundário contava-me que na turma dele ninguém quis fazer um trabalho proposto pelo professor; a resposta do professor foi sintomática: "façam outra coisa, mas façam". Façam o que fizerem é melhor que acabem a escolaridade obrigatória sem referências; um ensino de engano, onde parece que o sucesso duradouro baseado num sistema meritocrático e competitivo capaz de criar elites, não é coisa que os partidos de agora estejam muito interessados em fazer.

sábado, 10 de abril de 2010

A África do Sul africaniza-se

"The event took place in Zimbabwe, and involved, as fate would have it, Julius Malema, the ANC Youth League leader whose repeated singing of an old struggle song about shooting Boers is viewed by many Afrikaners as an incitement towards precisely the sort of violence that claimed Terreblanche's life. Even as an iron bar shattered the old right-winger's skull, Malema was in Harare, feasting with Robert Mugabe and picking up tips on how best to destroy the teetering remnants of Western influence here in South Africa. Terreblanche's murder was an individual tragedy. Malema's actions threaten to destroy an entire subcontinent.

Julius Malema is a chubby man-child who rose to prominence as Jacob Zuma's attack dog, threatening violence against anyone who sought to block the Zulu patriarch's rise to the state presidency. When Zuma emerged triumphant, Malema found himself in the pound seats. A poorly educated 28-year-old, he mysteriously acquired two posh houses, a fleet of cars and an obscenely expensive Breitling watch – curious accessories for a man who positions himself as champion of the poor."

Em poucos outros case study se pode observar com tanta clareza a importância de um Homem excepcional, como foi Nelson Mandela, no destino de um estado. Superando as melhores expectativas, pela sua mão a África do Sul tornou-se um enclave de (relativa) estabilidade e reconciliação num continente onde ambas escasseiam. Na sua ausência, assiste-se à progressiva e lenta mugabização do partido por ele fundado.

Se fazer sapateado na sua lápide era o que queriam, podiam pelo menos tê-lo deixado morrer em paz.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Estado da Arte

A Inês de Medeiros, coitada, lá continua à espera do Conselho de Administração da Assembleia e nós todos esperamos que o auditor jurídico se mova, não pela "legalidade" da coisa, mas que leia Rawls e que na dita resolução do Conselho se aplique uma norma anti-paraquedismo; seria até bem "legalista" que a dita deputada viesse representar o círculo eleitoral de Lisboa, convivendo num 24/7 com os verdadeiros lisboetas das tascas.
Para lá de Babilónia, o ácido continua a corroer as paredes das instituições e esperamos que, juntamente com a base tenhamos uma reação química puramente democrática onde se conserve o sal necessário para temperar os corações, as ambições e os projetos.